2 de novembro de 2016

Magrela

Hoje faz 8 anos que você deixou de viver entre nós e passou a existir em nossas lembranças. Alguns certamente lembram e sofrem sua ausência mais que outros pois proporcionalmente ao quanto você era presente, vem a falta.
Oito anos é muito tempo, tudo que eu queria era que você tivesse vivido esse tempo, tanta coisa me aconteceu de 2008 pra cá, imagina você, já teria conquistado o mundo com o seu sorriso lerdo que dava aquela espremida nos olhinhos.
As vezes as pessoas morrem e nós mudamos nossa opinião, não é o caso.
Se eu me permitir sinto hoje a mesma agonia que senti trancada em meu banheiro naquela manhã de domingo, o mesmo desespero de te ligar dezenas de vezes, a mesma dor de ouvir que era verdade e o mesmo vazio de te velar.
Nunca tive em minha vida alguém tão transparente como você, você fez meu riso inúmeras vezes e sem dúvida eu precisava de alguém como você pra eu ser quem eu sou hoje. Você me ensinou que ser eu mesma era algo valioso, o que não tive tempo de te dizer foi que ouvir isso de você é que era inestimável. Assim como eu nunca disse que te amava, e quem muito me ensinou sobre o amor?
Você...
O amigo que eu poderia facilmente pedir a Deus pra ser o meu irmão mais velho que nunca tive? Você.
Um universitário, cheio de amigos que aparecia na minha casa em pleno domingo pra colocar dvd de banda e papear, comer geladim, coca e mais alguma bobagem? Você.
Quem falava que eu estava mal vestida, que gostou da franja, que a saia tava curta, as canelas finas... e mesmo assim não baixava minha autoestima? Você.
Quem me buscou na casa de uma amiga quando eu tive o primeiro e único porre da vida? Você.
Quem topava tirar onda de gatinho com as meninas que eu não gostava só pra dar fora nelas e deixar eu me divertir? Você.
Quem me mostrava que dava pra farriar, curtir, viver e ainda sim estudar e trabalhar? Você.
Quem me emprestava o PC pra entrar no Orkut quando o meu estragava? Você.
Quem era ciumento, podia paquerar minhas amigas mas nunca me apresentava os amigos? Você.
Quem fez eu decorar o jeito que buzinava a biz pra não ter que bater e meus pais atenderem  (como se eles já não soubessem quem era)? Você.
Quem conseguiu fazer do apelido que mais me fez mal durante a infância, o apelido carinhoso e que eu mais gostava na adolescência? Você.

Ronaldo, onde quer que você esteja, a magrela está por aqui com uma saudade eterna no coração!