2 de novembro de 2011

Um pedaço, uma parte, uma falta, e a maior saudade da minha vida.



Te ver em qualquer besteira, todos dias, qualquer dia é dia de lembrar de você. E todos os dias é dia de sentir saudade. Mas hoje é um dia, é um número, é uma dor. É a dor daquele dia que vem como se alguém apertasse o replay.
Lembro das palavras que nem sei quem pronunciou "Parece que o Ronaldo...". Até hoje não entendo minha crise de riso, foi uma mistura de descrença e desespero. As mãos trêmulas pegando o celular e te ligando uma, duas, três, quatro, cinco, diversas vezes, o coração insistindo que era mentira, aquela ligação muda e sem explicação, a dor de cada tecla que apertei procurando um número na agenda, um número que me salvasse daquilo, um número que do outro lado dissesse o que eu queria ouvir. Aquele seu amigo, nem gostava muito de mim, ouviu meu Alô com tanta dor, se irritou quando eu disse pra parar com brincadeira idiota e passar o telefone para você, que isso não era uma piada legal, aquele teu primo-irmão sem meias palavras derrubou o chão sobre meus pés. Eliminou o riso do meu rosto. A única coisa que enxerguei foi uma porta, a porta do meu banheiro.
Aquelas horas trancada no banheiro foram as mais longas de minha vida, suficientes para ouvir tua voz me passando trotes no meio da noite, lembrar do teu abraço que sempre queria mostrar o quanto eu era magrela e você o forte. Lembrar dos teus conselhos, do meu primeiro porre do qual você me salvou. Que seu número estava sempre nas chamadas recentes do meu celular, e não importava quando onde ou pra quê, eu sempre falava liga pro Ronaldo. Lembrei das noites passadas em minha calçada, de suas piadas de mal gosto e de suas brincadeiras intermináveis. Lembro de pitadas de ciúme quando era eu a falar de algum cara, sim porque era esse o seu papel de irmão que você fazia mais perfeitamente: cuidar de mim. E como uma irmã, não estive em todos os lugares. E aqueles dias em que tinha vontade de estar nas suas longas histórias de carnaval. Aquela promessa para os meus 18 anos, que não deu tempo. Eu lembrei que não tenho nenhuma foto contigo, acho que é a única coisa da qual me arrependo. Era você quem tirava minhas fotos, atualizava a rede social, mas nunca tiramos fotos -juntos. E mesmo que ninguém te veja ao meu lado, cada dia que tive você em minha vida esta registrado. Cada telefonema bobo, como aqueles no meio da noite, só para gravar minha voz de meio dormindo meio acordada. E os programas de índio que eu arrumava, que você incrivelmente ia mesmo que fosse só por alguns instantes você não deixava de ir. Meu aniversário que você salvou. Dezenas de amigos, mas aquele que muitos achavam que pouco se importava comigo, foi o único a ir na minha casa me dar um abraço, salvar meu dia.
Tudo isso, e tudo que o buchecha fez por mim eu lembrei naquele banheiro, a voz da minha mãe me chamando preocupada, parecia que estava longe, tudo que eu queria era abafar o som dos meus gritos, o meu choro incontrolável que caia junto com a água fria daquele banho, aquele banho que me acordava, que me dizia: é verdade. E ai lembrei que já não falava contigo com tanta freqüência, já não te via mais tantas vezes, não nos falávamos mais todos os dias. Cada vez mais me via fora do seu circulo, eu estava saindo da vida de tanta gente naquela fase. Mas lembrei de você me falando que admirava meu jeito de lidar com as coisas, minha coragem de trabalhar cedo, meu jeito de não chorar por homem, você me pedia tanto isso, pra ser forte pra não chorar por qualquer um. Parece que estava adivinhando, meio que falando “chorar por mim pode magrela, porque eu sou seu maninho”.
Eu sinceramente não queria mais chorar, porque todo mundo que te conheceu, mesmo quem só te viu uma vez, percebeu que você era alegria, você era todo alegria. Você foi um período doce da minha vida, você é uma lembrança doce por toda a minha vida. E eu sei que você foi sabendo disso. Ao mesmo tempo as lágrimas que caem se juntam a tantas outras espalhadas por tantos lugares onde alguém sente tua falta. Esse choro transtornador, que deixa tudo a minha frente sem sentido. Minha mãe sempre fala para mim rezar pra você, mas desde aquele dia minha fé nunca mais foi a mesma, Deus nunca mais tocou meu coração como antes. Naqueles dias de desespero eu fui capaz de jogar tudo pro alto, de dizer que Ele não existia. Eu não sou pessoa legal, eu nunca serei querida como você é até hoje. E mesmo assim você foi, por que é algo que nunca irei entender. Todo meu sofrimento no dia em que somam-se 3 anos desde que te vi pela última vez, já sem aquele sorriso que espremia seus olhos, já sem aquele sorriso contagiante e encantador, é tanto tempo. Me pego pensando que não quero mais fazer as mesmas coisas que planejei contando que você ia fazer parte. E penso ao mesmo tempo o que poderia ser diferente, o quanto seria bom continuar contando com você. Toda a descrença trouxe junto a certeza de que a partir daquele dia eu tinha um anjo da guarda.
Você, Ronaldo Sá Lopes, merece estar presente em meus pensamentos numa música que toca, numa cantada barata, numa piada, num conselho repetido, numa foto que só existe dentro da minha cabeça. A nossa amizade que me fez tão bem te fez um irmão, o irmão mais velho, o parceiro. Ronaldo a vida nos uniu a morte nos separou, o que eu não esqueci é que a única coisa certa na vida é a morte, e isso me faz viver com a responsabilidade de te dar orgulho, porque um dia o que nos separou vai nos unir, e eu quero ter a certeza que você vai dizer "Minha magrela, meu orgulho".

30 de outubro de 2011

Só - depois - você saberá depois

Você está viciada!
Em quê?
Em apostas. Esses são cassinos da vida, não vê?
Preciso disso, para viver não, para não parar de viver não, para viver feliz talvez.
Pare com isso, precisa disso não, isso tudo pode ser em vão.
Quem é tu consciência para se atrever a dar palpite. Vou tomar um pileque. Vou apostar mais e mais e cada vez mais. Eu acordei com esse número na cabeça, eu sei que é o número. Vou apostar tudo no número.
Mas por que esse?
Por que não esse?
Eu perguntei primeiro.
E eu depois. Depois se eu não ganhar você pode aporrinhar minha cabeça. Agora irei ficar aqui.
Não diga que não avisei.
Fica na sua e se eu me der mal fale que me avisou. Agora vou apostar. Vou jogar tudo nos cassinos da vida. Que sempre foram labirintos. Que sempre foi assim. Que eu sempre chego primeiro respondendo as segundas perguntas.
E você ainda se diz simples, estou ferrada.

28 de outubro de 2011

Se alguém me conhece são eles.


Somos apenas três, uma família pequena. A família perfeita existe, o que não existe é uma família perfeita sem defeitos. Engraçado isso, porque a família perfeita tem problemas como qualquer outra, o que a diferencia é como ela lida com tais problemas, se resolve ou não, se deixa ou não o problema acabar com ela. Tivemos problemas, muitos, a maioria concentrados na época em que era eu a insistir em frequentar a igreja. Hoje todas essas pessoas podem olhar para vocês, hoje vocês podem estar à frente de todos esses casais e estarem de cabeça erguida, porque vocês venceram todos os problemas.
“Eu queria ter alguém que dividisse comigo todas as maravilhas (...) de ter nascido com esse pai e essa mãe. Eu queria ter, quando meus pais se sentem sozinhos ou decepcionados ou apertados de grana, apenas metade da culpa gigantesca que é ser um filho. Eu queria ter, nos jantares alegres e também nos insuportáveis, apenas metade dos méritos.” Essas palavras de Tati Bernardi, que se encaixam muito bem no que sinto agora.
Vocês nunca transmitiram para a mim a dor que sentiram, e ainda hoje sentem, por não terem suas duas outras filhas aqui entre nós. Eu, por outro lado, nem de longe consegui suprir a ausência delas, não fui capaz de cumprir com as obrigações de filha por nós três.
Se hoje eu posso lutar pelos meus objetivos, é porque me protegeram de muitas coisas ruins que a vida apresenta, mas fizeram o que poucos pais fazem, e que todos os pais devem fazer: me ensinaram a me proteger dessas coisas, ensinaram a enfrentá-las. Vocês sempre me mostraram a realidade, nunca me enganaram e sou infinitamente grata por isso, por ter crescido sabendo os valores das coisas. Nunca estive em uma bolha, como muitos pais tentam fazer. Acertaram em cheio nisso!
Mesmo sendo filha única nunca me senti “super” mimada, protegida, nem nada, e como disse agradeço, pois isso me fez crescer com os pés bem firmes no chão. Chão é uma boa palavra para descrevê-los, sempre cumpriram sua missão de base, de apoio e é assim até hoje. As raras vezes que estive sozinha foi por minha escolha, como agora. Agora estou sozinha. Mas continuo recebendo o apoio, a força, a companhia nos telefonemas cada vez mais longos.
Pai, eu sinto falta das piadas, às vezes sem graça alguma. Sinto falta de ouvir o senhor chamando minha mãe de “maria preá”. Sinto falta de suas reclamações, de dizer que “não é pra voltar tarde”, ou falando mal do meu cabelo novo, da roupa que minha mãe fez e etc. De ouvir aquele barulhinho engraçado que você faz quando deitado no chão, da sua cara de bravo, das suas palhaçadas na hora de tirar foto... Mãe, sinto falta dos seus micos, de vê-la no altar da igreja. Sinto falta de escolher suas roupas, como é que tá se virando sem mim hein? De você reclamando do meu quarto, de vê-la lendo tudo em voz alta, das suas animações com coisas tão pequenas... Enfim, estou com saudades de vocês, de saber que tem pessoas que me amam acima de tudo e da nossa rotina que sempre foi tão harmônica.
Espero que saibam que eu estou dando o meu máximo para que sintam orgulho de mim. Espero muito um dia proporcionar a vocês tudo o que vocês merecem. O meu amor sincero deixo aqui registrado. Sei que é clichê, mas tenho que afirmar que tenho muita sorte de ter pais como vocês e que estão sendo os melhores pais que eu podia ter.

24 de julho de 2011

Vazia

Quando você sentir essa dor, se sentir, a primeira coisa que ira fazer e pensar o que poderia ter feito para evitar isso.
Suponha que seja possível ter o mesmo tamanho, a possibilidade de retirar de dentro de si esta absolutamente excluída.
Mas sempre tem algo a se pensar, por outro angulo.
Eu poderia ter desistido mas, ai não seria eu.
Isso não e ser simples e ser fracassada.
Então já que provei da felicidade pensemos no depois:
Eu poderia ter continuado onde estava, afinal eu tinha tudo para sobreviver.
Se ainda sim meu ego necessitasse de mais eu poderia ter escolhido o fácil,
Eu poderia ir vez ou outra na boate da cidade, continuar com um monte de gente conhecida por perto.
Ter a casa dos meus pais o que e o mais próximo de uma casa minha.
Dificilmente eu estaria depressiva como agora mas se estivesse sentindo uma dor parecida teria para onde ir.
Falo de um local que não seja publico e que tenha alguém da lista singela de amigos.
Poderia continuar la quietinha.
Mas, essa também não sou eu. Eu me denomino simples e simples não e ser fraca.
Sonhos não são como uma construção ou um projeto quer pode ser adaptado.
Sonhar e também luta. Até pra sonhar e preciso ser forte,
porque desisti de um sonho e como um suicídio parcial. Quando a morte chegar nem vai achar vida pra levar, porque já se foi tudo com os sonhos fracassados pela fraqueza, mediocridade e vazio de algumas almas.
Definitivamente essa opção nunca esteve para mim, sem chances.
Essa não sou eu, eu posso parecer vazia agora. Mas estou cheia de forca que e o que preciso.
Fazer valer a pena e o que enche uma vida.
Eu tenho alguém que da sentido a minha vida. Que faz a minha alma levitar. E eu pertenço a esse alguém.

8 de junho de 2011

Não mude o que há de melhor.



Eu nunca estive a sombra de ninguém.
No começo era natural.
Mas assim que percebi isso procurei evoluir isso cada vez mais.
Isso me move. Me anima. Me deixa satisfeita em ser quem eu escolhi ser.
Em alguns momentos quase perdi isso, e como numa guerra interna vencia a mim mesma, meus medos, antes de vencer quem quizesse estar à minha frente.
Agora.
Agora não estou sentindo uma sobra sobre mim em alguns momentos mas,
a todo momento.
E passo a ficar estática.
Decepcionar consigo mesma
tem o mesmo efeito da ingratidão daqueles a quem você se dedica e se preocupa.
Me vi parada deixando isso acontecer.
Eu nunca tive isso. Eu nunca quis isso.
Não vai ser agora que vou querer viver a sombra de alguém.
A palavra sombra retirada o M é o que mais temo.
Colocando em lista todos os momentos que formam minha vida em nenhum deles estou como gostaria.
E se não tenho o que naturalmente me move irei usar o medo de algo pior para retornar a ser quem eu sou.
Quem eu escolhi ser.

15 de maio de 2011

Desculpa


Eu não estou ao teu lado, não será o meu ombro a ficar molhado pelas tuas lágrimas.

Não vou tentar pegar o seu buque, comer bem-casado e desejar felicidade.
Desde aquele dia não fui mais te visitar.
Eu não choro mais todos os dias porque você se foi pra sempre.
Não vou te apresentar mais minhas belas amigas.
Não vou poder te fazer bolo de chocolate.
Não, não estou promovendo essa festa.
Desculpa não vou poder fotografar sua apresentação.
Cancelei o vestido para sua formatura.
Não posso dançar com você.
Eu só queria ser sua amiga mas, você quer mais, então melhor nada ter.
Ah pode coordenar o grupo, eu não posso mais.
Eu não sou sensível, não atendi mais suas ligações, perdi seu número.
Eu queria mais não posso ser a madrinha.
Quem vai ajudar com as cortesias? Eu não tenho mais como.
Jogo lá em casa não dá mais.
Eu não trabalho mais lá mas vai lá e deixa o currículo.
Não chora. Não, não posso ir ai.
Eu não, eu não

Eu não queria faltar com você,
Amigo(a).

21 de abril de 2011

Vida Real


Hoje estive sonhando, porque nos temos que entender que sonho é algo que não aconteceu, é futuro.
As lembranças é que tem espaço para o passado.
Enfim, estive pensando no sonho da formatura, a consagração da luta.
Quantos olhos cansados vemos nos pontos de ônibus,
quantas pessoas esperando avistar suas casas ou as casas que usam como suas,
Quantas pessoas, e s p e r a n d o.
Esperando vencer essa fase, esperando chegar em casa para mais uma batalha e no dia seguinte mais uma.
Até o dia em que aquilo acabará com uma grande festa.
E daí só as pessoas próximas lembrarão como foi difícil,
e deverão ser essas as primeiras da lista, claro.
Mas até chegar o grande dia, ouvirão muitos dizer,
''que sorte você tem' ou melhor ''ah pra mim tudo é muito difícil''.
E nessa hora só a duas reações:
você pode achar graça e fingir que não ouviu ou
você se irrita da uma lição de vida, simplesmente vivendo.
Em ambos os casos você torce para que aquela pessoa acorde, veja que a vida real é um pouco diferente principalmente para quem vence pela luta do estudo e trabalho e entenda:
Que conseguir estar entre os melhores não é sorte;
Não foi concurso de beleza;
Que não dá de estar sempre arrumado;
O rosto inchado não é de dormir até tarde mas de dormir muito tarde e acordar muito cedo;
Que nem todo mundo vai de ônibus, bike ou moto porque quer;
E aquele que está com sono na aula a noite, madrugou pra ir trabalhar;
Ele não vai para festa porque tem que estudar;
Ela não compra sapato porque tem livros para comprar.
Se não entender nada disso terão que entender que tudo isso é necessário na vida real.
Que só depois de coisas assim abrirá um sorriso para as fotos, terá a dança clássica, a grande festa.
Todos que estiverem lá saberão que tem muita gente por ai esperando a sorte,
e todo mundo deve gritar para os que estão de fora:
Acorda, levanta cedo, trabalha, estuda e luta para vencer.
Que vai chegar teu dia de sorrir para as câmeras e lutar novamente. Mas lutar em uma nova fase mais confortável, Eu garanto.

3 de abril de 2011

Grão de Areia

A vida tem umas coisas simples, que são tão sinistras como o de onde viemos.E mesmo isso sendo muito bem explicado na minha religião, permaneço com o espírito de criança. Que pergunta de onde veio o bebê e que depois pergunta de onde veio a mamãe. 
As coisas simples que quero falar, são os dias ruins. Ou os bons.
A maioria das pessoas - na verdade eu falo por mim cheia de ruins- que vivem na rotina de busca, vivem dias simples, dispensáveis. Há dias que me sinto como um grão de areia, voando para lá e para cá.
As vezes esse 'pra lá e pra cá' está resumido a um apartamento, a um roteiro fixo, em ciclo. Vem a loucura, sair de si. Dá vontade de ser artista, não uma nova celebridade mas, sim ocupar o lugar de alguma destas que estão na minha TV. Não surge o desejo de ser uma nova artista porque dá trabalho, e um grão de areia não tem capacidade.
Se passaram horas, ninguém pra conversar, alguma amiga, que venha e tire umas fotos? Não. Preciso de novas roupas, sapatos. Não é meu guarda roupa, não é meu trabalho, nem a faculdade, é meu tédio que pede isso. Ao mesmo tempo que minha conta bancária não permite. Estou cansada sinto falta do álcool. Mais uma estrela na TV, no toque do meu celular. Mais uma vez o grão de areia, um ser insignificante. Algumas pessoas gostam de mim e não sendo só quem tem obrigação, se torna um erro. Erro destes que vêem algo em mim que nunca existiu. Talvez eles me viram um dia, quando o medo não existia.
Quando a intitulada auto-estima existia. Ela não está baixa, desapareceu.
Naquela época que fazia o que tinha que fazer, e não eram coisas erradas, não foram só loucuras. Um dia desses, se me esforçar me lembro. Eu enfrentaria qualquer uma delas da TV. Engraçado quanta diferença isso tem de um grão de areia. Um grão de areia nunca vai aonde quer, é movido. Não sairá pela janela ao menos que alguém o jogue. Mas não consigo pensar além disso. Penso muito mais em como não pensar, em como ser capaz de escrever-te algo que tenha vontade de ler. Palavras que me tirem desse quadrado. O quadrado não é ruim. Ruim é sentir-se presa. Nada de portas, de janelas ou cadeados, sou eu mesma que já não tenho certeza da coisa que mais tive certeza.
O ponto referencial. O local para onde se vai quando nenhum outro serve.
Sinto saudade da coragem de enfrentar uma artista, e dizer-se tão boa quanto. Olhar os outros por cima, não com a altura mas com a coragem.

Não me olhe assim, me jogue logo fora daqui. Grão de areia não se move sozinho, nem o teclado deste computador portátil, que poderia estar em qualquer lugar mas está bem aqui, entre essas paredes.

5 de março de 2011

Depois de 745 horas


Chorei quando a velocidade aumentou e não pude mais te ver.
Acenando para mim, com os olhos vermelhos de choro preso.
Chorei tanto que os olhos se fecharam, de cansados. Dormi. Sonhei.
Sonhei que você estava ao meu lado, que estaria indo comigo.
Que íamos enfrentar isso juntos.
Acordei com o barulho da roda e as lanternas do motorista conferindo o estado do veículo.

Cheguei ao meu destino?!
Fui recebida com muito mais honra e glória do que meu espírito esperava ou meu humor estava preparado.
Chorei mas um pouco. Não eram férias.
Descobri a ansiedade, a venci novamente.
Ergui minha cabeça e orgulhosa subi no pódio. Peguei minha medalha
E logo percebi que o trófeu é muito mais difícil.

Olhei para os lados, invejei cada uma delas que não tiveram que esperar.
Continuo esperando, vale muito a pena. Essa é uma das certezas que carrego, que me carregam.
De repente veio uma dor tão forte, o sentimento que motivou o choro desde antes de eu sair,
encheu meu coração de um medo que nunca teve chance de existir.
Fracassei. Nunca tinha sentido um gosto tão amargo quanto aquele.
Eu não tinha esse direito. Eu não podia. Mas fiz. Senti um medo que nada tinha haver com saudade.
Era desespero.

Chorei, temi, sofri. Por alguns instantes achei que merecia. Mas.
Mas, eu vi que não sobreviveria. E escolhi lutar. Entrar numa briga como nos velhos tempos.
Recuperei o ar e tentei.
Ainda não sei se consegui. Só saberei ao longo do tempo.
Pois minha luta será diária. Lutarei todos os dias, dia após dia.
Dizer: Venci. Só posso quando chegar o fim.
Ocorre que o fim do qual eu falo está previsto para o dia 'para sempre'.
Aquele dia dos finais de filmes e novelas.

Por hora troco 745 horas de apenas ar entrando e saindo, de movimentos simples,
meio que obrigatórios. Tantas horas executando o básico para sobreviver.
Durante esse tempo me peguei algumas vezes deslumbrada. Duvidei que aquilo estava se realizando.
Meu objetivo tinha começado a caminhar.
Mas nunca estive tão surpresa nestas últimas 745 horas, não quanto naquela hora.
Eu estava esperando. Eu me virei. Olhei e não acreditei. Pensei que o edifício em que eu estava tivesse vibrado.
Era apenas o tremor das minhas pernas.
Não fiquei apenas no olhar. Toco, abraço. E ainda sim não acredito que vivo aquela hora tão sonhada.

Um horário de almoço apertado, e daí. Foi aquela 1 hora que tenho esperado a 745 horas.
Vou deslumbrada de encontro a mais horas. Achando algo inacreditável de tão maravilhoso.
É a Felicidade que veio ao meu encontro.
E eu o esperando. Transbordando de amor. Cheia de força para lutar.
Lutar para te ter para sempre.
Porque você é o meu Companheiro, minha Alegria.
Meu Amor.