5 de março de 2011

Depois de 745 horas


Chorei quando a velocidade aumentou e não pude mais te ver.
Acenando para mim, com os olhos vermelhos de choro preso.
Chorei tanto que os olhos se fecharam, de cansados. Dormi. Sonhei.
Sonhei que você estava ao meu lado, que estaria indo comigo.
Que íamos enfrentar isso juntos.
Acordei com o barulho da roda e as lanternas do motorista conferindo o estado do veículo.

Cheguei ao meu destino?!
Fui recebida com muito mais honra e glória do que meu espírito esperava ou meu humor estava preparado.
Chorei mas um pouco. Não eram férias.
Descobri a ansiedade, a venci novamente.
Ergui minha cabeça e orgulhosa subi no pódio. Peguei minha medalha
E logo percebi que o trófeu é muito mais difícil.

Olhei para os lados, invejei cada uma delas que não tiveram que esperar.
Continuo esperando, vale muito a pena. Essa é uma das certezas que carrego, que me carregam.
De repente veio uma dor tão forte, o sentimento que motivou o choro desde antes de eu sair,
encheu meu coração de um medo que nunca teve chance de existir.
Fracassei. Nunca tinha sentido um gosto tão amargo quanto aquele.
Eu não tinha esse direito. Eu não podia. Mas fiz. Senti um medo que nada tinha haver com saudade.
Era desespero.

Chorei, temi, sofri. Por alguns instantes achei que merecia. Mas.
Mas, eu vi que não sobreviveria. E escolhi lutar. Entrar numa briga como nos velhos tempos.
Recuperei o ar e tentei.
Ainda não sei se consegui. Só saberei ao longo do tempo.
Pois minha luta será diária. Lutarei todos os dias, dia após dia.
Dizer: Venci. Só posso quando chegar o fim.
Ocorre que o fim do qual eu falo está previsto para o dia 'para sempre'.
Aquele dia dos finais de filmes e novelas.

Por hora troco 745 horas de apenas ar entrando e saindo, de movimentos simples,
meio que obrigatórios. Tantas horas executando o básico para sobreviver.
Durante esse tempo me peguei algumas vezes deslumbrada. Duvidei que aquilo estava se realizando.
Meu objetivo tinha começado a caminhar.
Mas nunca estive tão surpresa nestas últimas 745 horas, não quanto naquela hora.
Eu estava esperando. Eu me virei. Olhei e não acreditei. Pensei que o edifício em que eu estava tivesse vibrado.
Era apenas o tremor das minhas pernas.
Não fiquei apenas no olhar. Toco, abraço. E ainda sim não acredito que vivo aquela hora tão sonhada.

Um horário de almoço apertado, e daí. Foi aquela 1 hora que tenho esperado a 745 horas.
Vou deslumbrada de encontro a mais horas. Achando algo inacreditável de tão maravilhoso.
É a Felicidade que veio ao meu encontro.
E eu o esperando. Transbordando de amor. Cheia de força para lutar.
Lutar para te ter para sempre.
Porque você é o meu Companheiro, minha Alegria.
Meu Amor.

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