Chorei quando a velocidade aumentou e não pude mais te ver.
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Acenando para mim, com os olhos vermelhos de choro preso.
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Chorei tanto que os olhos se fecharam, de cansados. Dormi. Sonhei.
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Sonhei que você estava ao meu lado, que estaria indo comigo.
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Que íamos enfrentar isso juntos.
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Acordei com o barulho da roda e as lanternas do motorista conferindo o estado do veículo.
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Cheguei ao meu destino?!
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Fui recebida com muito mais honra e glória do que meu espírito esperava ou meu humor estava preparado.
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Chorei mas um pouco. Não eram férias.
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Descobri a ansiedade, a venci novamente.
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Ergui minha cabeça e orgulhosa subi no pódio. Peguei minha medalha
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E logo percebi que o trófeu é muito mais difícil.
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Olhei para os lados, invejei cada uma delas que não tiveram que esperar.
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Continuo esperando, vale muito a pena. Essa é uma das certezas que carrego, que me carregam.
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De repente veio uma dor tão forte, o sentimento que motivou o choro desde antes de eu sair,
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encheu meu coração de um medo que nunca teve chance de existir.
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Fracassei. Nunca tinha sentido um gosto tão amargo quanto aquele.
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Eu não tinha esse direito. Eu não podia. Mas fiz. Senti um medo que nada tinha haver com saudade.
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Era desespero.
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Chorei, temi, sofri. Por alguns instantes achei que merecia. Mas.
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Mas, eu vi que não sobreviveria. E escolhi lutar. Entrar numa briga como nos velhos tempos.
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Recuperei o ar e tentei.
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Ainda não sei se consegui. Só saberei ao longo do tempo.
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Pois minha luta será diária. Lutarei todos os dias, dia após dia.
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Dizer: Venci. Só posso quando chegar o fim.
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Ocorre que o fim do qual eu falo está previsto para o dia 'para sempre'.
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Aquele dia dos finais de filmes e novelas.
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Por hora troco 745 horas de apenas ar entrando e saindo, de movimentos simples,
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meio que obrigatórios. Tantas horas executando o básico para sobreviver.
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Durante esse tempo me peguei algumas vezes deslumbrada. Duvidei que aquilo estava se realizando.
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Meu objetivo tinha começado a caminhar.
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Mas nunca estive tão surpresa nestas últimas 745 horas, não quanto naquela hora.
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Eu estava esperando. Eu me virei. Olhei e não acreditei. Pensei que o edifício em que eu estava tivesse vibrado.
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Era apenas o tremor das minhas pernas.
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Não fiquei apenas no olhar. Toco, abraço. E ainda sim não acredito que vivo aquela hora tão sonhada.
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Um horário de almoço apertado, e daí. Foi aquela 1 hora que tenho esperado a 745 horas.
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Vou deslumbrada de encontro a mais horas. Achando algo inacreditável de tão maravilhoso.
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É a Felicidade que veio ao meu encontro.
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E eu o esperando. Transbordando de amor. Cheia de força para lutar.
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Lutar para te ter para sempre.
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Porque você é o meu Companheiro, minha Alegria.
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Meu Amor.
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Ser simples nem sempre é ser incrível. Não é um diário e não é ficção, a graça está em descobrir o que é baseado em fatos reais ou não.
5 de março de 2011
Depois de 745 horas
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