3 de abril de 2011

Grão de Areia

A vida tem umas coisas simples, que são tão sinistras como o de onde viemos.E mesmo isso sendo muito bem explicado na minha religião, permaneço com o espírito de criança. Que pergunta de onde veio o bebê e que depois pergunta de onde veio a mamãe. 
As coisas simples que quero falar, são os dias ruins. Ou os bons.
A maioria das pessoas - na verdade eu falo por mim cheia de ruins- que vivem na rotina de busca, vivem dias simples, dispensáveis. Há dias que me sinto como um grão de areia, voando para lá e para cá.
As vezes esse 'pra lá e pra cá' está resumido a um apartamento, a um roteiro fixo, em ciclo. Vem a loucura, sair de si. Dá vontade de ser artista, não uma nova celebridade mas, sim ocupar o lugar de alguma destas que estão na minha TV. Não surge o desejo de ser uma nova artista porque dá trabalho, e um grão de areia não tem capacidade.
Se passaram horas, ninguém pra conversar, alguma amiga, que venha e tire umas fotos? Não. Preciso de novas roupas, sapatos. Não é meu guarda roupa, não é meu trabalho, nem a faculdade, é meu tédio que pede isso. Ao mesmo tempo que minha conta bancária não permite. Estou cansada sinto falta do álcool. Mais uma estrela na TV, no toque do meu celular. Mais uma vez o grão de areia, um ser insignificante. Algumas pessoas gostam de mim e não sendo só quem tem obrigação, se torna um erro. Erro destes que vêem algo em mim que nunca existiu. Talvez eles me viram um dia, quando o medo não existia.
Quando a intitulada auto-estima existia. Ela não está baixa, desapareceu.
Naquela época que fazia o que tinha que fazer, e não eram coisas erradas, não foram só loucuras. Um dia desses, se me esforçar me lembro. Eu enfrentaria qualquer uma delas da TV. Engraçado quanta diferença isso tem de um grão de areia. Um grão de areia nunca vai aonde quer, é movido. Não sairá pela janela ao menos que alguém o jogue. Mas não consigo pensar além disso. Penso muito mais em como não pensar, em como ser capaz de escrever-te algo que tenha vontade de ler. Palavras que me tirem desse quadrado. O quadrado não é ruim. Ruim é sentir-se presa. Nada de portas, de janelas ou cadeados, sou eu mesma que já não tenho certeza da coisa que mais tive certeza.
O ponto referencial. O local para onde se vai quando nenhum outro serve.
Sinto saudade da coragem de enfrentar uma artista, e dizer-se tão boa quanto. Olhar os outros por cima, não com a altura mas com a coragem.

Não me olhe assim, me jogue logo fora daqui. Grão de areia não se move sozinho, nem o teclado deste computador portátil, que poderia estar em qualquer lugar mas está bem aqui, entre essas paredes.

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