17 de junho de 2012

Cobri meus olhos e disfarcei o resto com um sorriso.

Todo dia você deixa algo pra trás.
Pode ser os cinco centavos de um troco, uma roupa que enjoou...
Qualquer coisa que parece não ter valor ou que tem valor tão pequeno que não vale a pena.
Algumas destas coisas que você deixa te faziam mal e nesse caso é positivo, esse é o espírito.
Parece muito simples quando é uma moeda, roupa ou objeto. E é.
Porque o problema só começa quando num dia desses você fecha as portas para algo que realmente gosta, algo que não te faz mal o tempo todo, algo que você ama.
Como quem tem bom coração nunca ama algo, mas sim alguém, é ai que "deixar pra trás" passa a ser algo grave.
Eu não quero dramatizar as perdas da minha vida, nem mesmo me vangloriar das conquistas.
Perder para a morte alguém que amamos dói, e dói para sempre.
Mas em algum momento, seja baseado em religião ou qualquer outra teoria, acreditamos que esta pessoa pode está melhor que antes, e indo mais longe sonhamos que poderemos revê-la.
Porém quando você perde alguém pra vida não há saída.
É como enterrar a pessoa viva e isso não matá-la porque os sentimentos são tão fortes que dentro de você ela é tão imortal quanto alguém que se foi para sempre.
Só que quando você resolve fechar os olhos para alguém, quando você decide que é o melhor para você e/ou pra ela, você não sonha mais em revê-la, em tê-la e você já não sabe mais quem realmente está vivo, quem realmente está morto.

1 de março de 2012

Você nunca perde o melhor do melhor



Sabe quando você quebra aquela sombra favorita?

Aquela que foi difícil de achar tem o brilho perfeito pra qualquer hora e que inclusive custou caro.


Você a quebra e no mesmo instante tenta juntar todo o pozinho que restou, deposita de volta no pote, mas logo percebe que não dá mais, não tem como usá-la, fica desigual, não fica uniforme, estraga a maquiagem.


Pronto começa o sofrimento.
Você já sabe que pararam de fabricar a linha, era uma preciosidade, você chora.
Cada vez que vai pegar seu kit se lamenta.

Mas depois de algum tempo, muito relativo porque quanto mais querida era a sombra mais falta faz, mas mesmo assim uma hora você decide abrir aquela maleta, que cheia ou não tem outras sombras, ainda se lamentando, comparando você vai testando uma a uma, e até encontra umas que todas juntas pelo menos te fazem parar de chorar.
Então passa mais tempo, em algum lugar você guardou os restos da sombra, quando topa com eles o sentimento volta como se nunca tivesse ido, e vai e volta e vai e volta.
Depois de muito tempo, alguém te manda uma receita: adicione um pouco de álcool nos restos da sua sombra, faça uma massinha e deixe secar, pronto terá ela de novo.
Daí fazem isso comigo, com minha sombra.

Com algum esforço poderei um dia usá-la de novo, mas será que eu irei esquecer que um dia me descuidei e deixei-a cair, será que em algum lugar eu não irei encontrar rachaduras nela?
Não sei, talvez eu nem a tenha quebrado, talvez por ter aquela embalagem tão delicada e bonita, por ser minha favorita eu segurava muito forte com medo de cair, ou muito fraco com medo de quebrar.
Isso não importa tanto, o que importa é que ela é a que mais combina comigo, a que me deixa melhor, mais feliz e satisfeita.
Porque ela tem um brilho único, que combina comigo, e que nunca vai acabar.

18 de fevereiro de 2012

Infarto


Você que ama muita gente.


Você mal sabe falar o que ama em cada uma.
Ou não sabe o que ama em todas.



Você que dá amor para algumas pessoas sem motivo algum, sem merecimento, sem pagar nada. Se elas não retribuírem da mesma forma não significam que elas também não te amam.

Só mostra e ressalta sua superioridade. A suprema arte de amar independente do que se recebe em troca.
E quem é o responsável pelo amor, quem ama ou quem é amado, mais?

Se ninguém escolhe como a história começa, se a vida é o tal rascunho sem revisão final, por que sofrer? Todos sabem a probabilidade para as coisas ruins. Se morremos desde que nascemos, se o mundo conspira para o caos e tende para o fim por que o amor teria de ser diferente?

Tantos pontos de interrogação que ficaram por falta de um simples, sútil e objetivo ponto final.
Ninguém escolhe como ou onde começar o "era uma vez", muito menos se escolhe quem amar, quem colocar na vida. Também não se escolhe quando se pode arrancar alguém do coração, por mais que aquilo esteja te sufocando, entupindo ele de mal, ainda sim você não tem o poder de tirar a pessoa simples assim.

Aliás de simples o amor só tem uma coisa: senti-lo. É tão rápido, dominante, feliz mesmo. Encontrar alguém com quem dividir tudo, uma parte ou qualquer coisa, um sorriso que seja.
Compartilhar o tempo com um amigo, um amor, um irmão é uma parte do amor.

São os amores, desamores. Começo e meio fofinho como algodão doce e um o fim como um balão de ar estourado acidentalmente.
Há coisas que se fazem e se desfazem sem você se mover. Amizades cheias de sabores que acabam com o amargo da distancia - mais conhecida como diferenças. Embora que, absolutamente, não tenham sido as nossas diferenças que nos atraíram para viver tudo isso, muito menos nossas semelhanças.



E sobre isso escolho a versão que foi só alguma força superior, lutando contra a lógica da vida, onde tudo conspira para o fim, me dando um pouco de alegria, amor e doçura.
Foi só um presente emprestado para eu continuar meu caminho sabendo que eu nunca serei boa o bastante, que mudar não é uma escolha fácil e viver sem a mudança também não.


Minha doce menina, não quero mais obstruir uma das tantas artérias do seu grande coração.

Vou fazer o que você quer, me retirar.