
Sabe quando você quebra aquela sombra favorita?
Aquela que foi difícil de achar tem o brilho perfeito pra qualquer hora e que inclusive custou caro.
Você a quebra e no mesmo instante tenta juntar todo o pozinho que restou, deposita de volta no pote, mas logo percebe que não dá mais, não tem como usá-la, fica desigual, não fica uniforme, estraga a maquiagem.
Pronto começa o sofrimento.
Você já sabe que pararam de fabricar a linha, era uma preciosidade, você chora.
Cada vez que vai pegar seu kit se lamenta.
Mas depois de algum tempo, muito relativo porque quanto mais querida era a sombra mais falta faz, mas mesmo assim uma hora você decide abrir aquela maleta, que cheia ou não tem outras sombras, ainda se lamentando, comparando você vai testando uma a uma, e até encontra umas que todas juntas pelo menos te fazem parar de chorar.
Então passa mais tempo, em algum lugar você guardou os restos da sombra, quando topa com eles o sentimento volta como se nunca tivesse ido, e vai e volta e vai e volta.
Depois de muito tempo, alguém te manda uma receita: adicione um pouco de álcool nos restos da sua sombra, faça uma massinha e deixe secar, pronto terá ela de novo.
Daí fazem isso comigo, com minha sombra.
Com algum esforço poderei um dia usá-la de novo, mas será que eu irei esquecer que um dia me descuidei e deixei-a cair, será que em algum lugar eu não irei encontrar rachaduras nela?
Não sei, talvez eu nem a tenha quebrado, talvez por ter aquela embalagem tão delicada e bonita, por ser minha favorita eu segurava muito forte com medo de cair, ou muito fraco com medo de quebrar.
Isso não importa tanto, o que importa é que ela é a que mais combina comigo, a que me deixa melhor, mais feliz e satisfeita.
Porque ela tem um brilho único, que combina comigo, e que nunca vai acabar.
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