Quantas vezes você tentou se afastar de mim? Mesmo que apenas em pensamento?
Provavelmente inúmeras. Eu sei porque você me falou e te confesso: também já tentei.
Você pensa nisso porque sabe que existe um alto risco de eu te machucar. E eu? Eu é exatamente pelo mesmo motivo.
Quanto medo de nunca mais te ver, quanto medo de te ver de novo. Quanto medo de nunca entender o que mais vai doer, ou o que é melhor pra você. Eu sei que a decisão não deveria ser só minha, eu sei que você já está bem grandinho para fazer suas escolhas e assumir as consequências delas, mas diferente de você, eu já acumulo consequências demais, responsabilidades demais e eu realmente não consigo carregar mais essa. É por isso que eu tenho que deixar você ir...
Parece que sou uma covarde, que já desisti desse "nós", que nunca nem existiu, muitas vezes, mas é que não consigo calcular quantas vezes eu construí sonhos ao redor desse mesmo "nós".
Estou aqui nos arquivos da nossa conversa do Whatsapp e estou meio surpresa: tenho uma coleção de fotos ao teu lado. Eu sei que você não gosta de foto, então toda vez que você tirou o celular do bolso e disse "vem cá", eu não demonstrei, mas fiquei super feliz e empolgada, porque você não tira foto de paisagem, de tudo que come etc.... você seleciona o que quer guardar, seleciona o que quer registrar e isso tem um grande valor.
Estou olhando foto por foto, lembrando de cada dia... E acho que nossos sorrisos estão mais bonitos que nas fotos sozinhos ou nas fotos com outras pessoas. Sobre o olho, o olhar não há nem o que falar, está muito diferente. Enquanto teu olho tem um pouco de transparência e assim como você conseguiu se expressar, o meu está sempre mais contido, não sei se é receio, se é proteção ou se apenas perdi a capacidade de ter o olho a brilhar.
Quão triste é sentir agora? Agora que é depois, depois que aconteceu, agora que acabou...
Só agora conseguir sorrir para essas fotos?
Somente depois conseguir ter os olhos cintilantes ao lembrar do seu sorriso?
Já sinto saudade do teu corpo sobre meus lençóis, de uma mão que me acaricia suavemente, enquanto a outra me domina firme pela nuca.
É triste olhar uma foto com a sensação de que aquilo não irá se repetir mas definitivamente eu não deixaria de viver cada segundo desses, eles existem por si só, eles não precisam de um futuro, de um amanhã, eles tem o valor da eternidade, porque o passado nunca é apagado. Não adianta, pode apagar foto, vídeo qualquer coisa, pode até não pensar muito nas memórias construídas mas elas estarão sempre aí, de alguma forma. Nós só temos que ser gratos, gratidão pelo que aconteceu, gratidão pelo possível, pelos limites que a vida estabelece.
Aqui sentada no meu carro, enquanto escrevo, coloquei para tocar de novo a música que tocava, chama "Nossa Conversa" parece que ali naquele carro estávamos conversando em silêncio, parece que 10 segundos antes de a cantora cantar "É só um toque seu e já era", foi o momento em que você colocou a mão na minha perna, eu estava tão concentrada no transito quanto uma criança de 2 anos consegue concentrar numa missa. Eu não coloquei minha mão na sua, você deve ter estranhado, eu não fiquei te encarando até você ficar corado, de novo, deve ter estranhado.
Aqui sentada olhando pela minha janela, sinto uma brisa suave porque hoje a cidade trás um clima gostoso, e lembro do momento em que te dei um beijo, te disse obrigada e te dei tchau. Eu fiquei olhando você se afastar com seu caminhar torto, esperei até o último segundo que você olhasse pra trás, você não olhou, mas eu te entendo, afinal só eu sei que aquele tchau foi com intenção de adeus, só eu sei que preciso soltar sua mão, deixar você ir.
Esse teu olhar, teu sorriso, carinho e vontades merecem alguém que não só queira retribuir, mas que consiga.
O bom e velho ditado aqui se aplica: querer não é poder.
Nenhum comentário:
Postar um comentário