Estou pensando em você!
Por algum motivo eu voltei a pensar em você. Você que é uma invenção, uma ilusão criada pela minha constante necessidade de estar emocionalmente ligada à alguém. Nunca saberás que tudo que se passou comigo, todos os sentimentos que cultivei sem nenhuma base, sem história e sem reciprocidade, sentimentos que ultrapassaram o típico modelo dos dias atuais, tudo isso não passou da ideologia de se prender a algo enquanto uma ventania se passa.
Âncora, você não passou de uma pessoa âncora.Todas as partes da minha vida passavam por mudanças, estava cheia de incertezas, no centro de um furacão, sozinha no meio desse oceano de possibilidades e forte tempestade. Então eu precisei gostar de alguém para não gostar de mais ninguém, precisava estar ali presa, mesmo sem estar, uma âncora para não me deixar seguir sem rumo ou em uma direção que me fizesse sofrer. Ah mas seu ego deve pensar, você não escolheu uma âncora aleatória... claro que não! Eu precisava acreditar que era possível, que era possível encontrar um cara que me levasse pra dançar numa quarta-feira, que cozinhasse numa sexta e me convencesse que ia valer a pena ficar em casa naquele dia, alguém que todos os meus amigos gostassem e que me fizesse sorrir, porque se não fosse assim eu não iria confiar, me entregar... não como fiz.
O problema é que eu lancei a âncora muito cedo e fiquei tentando que tivesse firmeza em algo raso. Depois de uma série de peças dramáticas, quase cinematográficas... Veio a consciência de que a responsabilidade era minha. Talvez a lucidez somente se fez presente quando o oceano se acalmou e as tempestades em minha vida diminuíram. Quando passei a, pedaço por pedaço, me fortalecer foi ficando claro que não precisava mais de você.
E após tempos e tempos, após incontáveis contatos indiretos chegamos aquela noite de reencontro onde finalmente aconteceu de nada acontecer. Sim, nada. E o raso se fez superfície, o vazio preencheu todas as lacunas e eu entendi que a âncora antes necessária agora apenas me arrastava lentamente de um lado para o outro no ritmo da maré mas sem me levar a lugar nenhum. O que antes era um mal necessário agora precisou sumir. Ainda estou descobrindo o rumo que quero velejar, voar...
Nesse devaneio em que minha mente habita uma coisa é certa, quero uma asa delta, quero uma vela de barco... quero alguém que me acompanhe nas minhas aventuras e que mesmo quando não puder que me apoie, que me empurre, me ajude a saltar! E obviamente irei fazer o mesmo, afinal busco a reciprocidade como quem garimpa por ouro... Não só em um relacionamento amoroso mas em todos, entre familiares, entre amigos...RECIPROCIDADE a palavra é tão grande quanto o significado.Então é isso, só queria te contar que pensei em você mas foi bem diferente das outras vezes, de quando eu imaginava que iria cruzar com você no supermercado, no sinaleiro ou naquela sua boate favorita... Dessa vez só pensei em o que tudo aquilo significou, que aconteceu o que precisava acontecer mas que agora passou.
P.S. Arquivo do bloco de notas, escrito em: 10.10.17 enquanto eu estava admirando a Plaza de Oriente em Madrid.
Estou pensando em você!
Por algum motivo eu voltei a pensar em você. Você que é uma invenção, uma ilusão criada pela minha constante necessidade de estar emocionalmente ligada à alguém. Nunca saberás que tudo que se passou comigo, todos os sentimentos que cultivei sem nenhuma base, sem história e sem reciprocidade, sentimentos que ultrapassaram o típico modelo dos dias atuais, tudo isso não passou da ideologia de se prender a algo enquanto uma ventania se passa.
Âncora, você não passou de uma pessoa âncora.Todas as partes da minha vida passavam por mudanças, estava cheia de incertezas, no centro de um furacão, sozinha no meio desse oceano de possibilidades e forte tempestade. Então eu precisei gostar de alguém para não gostar de mais ninguém, precisava estar ali presa, mesmo sem estar, uma âncora para não me deixar seguir sem rumo ou em uma direção que me fizesse sofrer. Ah mas seu ego deve pensar, você não escolheu uma âncora aleatória... claro que não! Eu precisava acreditar que era possível, que era possível encontrar um cara que me levasse pra dançar numa quarta-feira, que cozinhasse numa sexta e me convencesse que ia valer a pena ficar em casa naquele dia, alguém que todos os meus amigos gostassem e que me fizesse sorrir, porque se não fosse assim eu não iria confiar, me entregar... não como fiz.
O problema é que eu lancei a âncora muito cedo e fiquei tentando que tivesse firmeza em algo raso. Depois de uma série de peças dramáticas, quase cinematográficas... Veio a consciência de que a responsabilidade era minha. Talvez a lucidez somente se fez presente quando o oceano se acalmou e as tempestades em minha vida diminuíram. Quando passei a, pedaço por pedaço, me fortalecer foi ficando claro que não precisava mais de você.
E após tempos e tempos, após incontáveis contatos indiretos chegamos aquela noite de reencontro onde finalmente aconteceu de nada acontecer. Sim, nada. E o raso se fez superfície, o vazio preencheu todas as lacunas e eu entendi que a âncora antes necessária agora apenas me arrastava lentamente de um lado para o outro no ritmo da maré mas sem me levar a lugar nenhum. O que antes era um mal necessário agora precisou sumir. Ainda estou descobrindo o rumo que quero velejar, voar...
Nesse devaneio em que minha mente habita uma coisa é certa, quero uma asa delta, quero uma vela de barco... quero alguém que me acompanhe nas minhas aventuras e que mesmo quando não puder que me apoie, que me empurre, me ajude a saltar! E obviamente irei fazer o mesmo, afinal busco a reciprocidade como quem garimpa por ouro... Não só em um relacionamento amoroso mas em todos, entre familiares, entre amigos...RECIPROCIDADE a palavra é tão grande quanto o significado.Então é isso, só queria te contar que pensei em você mas foi bem diferente das outras vezes, de quando eu imaginava que iria cruzar com você no supermercado, no sinaleiro ou naquela sua boate favorita... Dessa vez só pensei em o que tudo aquilo significou, que aconteceu o que precisava acontecer mas que agora passou.
P.S. Arquivo do bloco de notas, escrito em: 10.10.17 enquanto eu estava admirando a Plaza de Oriente em Madrid.
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