2 de abril de 2017

O corpo é seu!

De uns tempos pra cá, por vários motivos, voltei a conversar sobre meu corpo, aqui acolá isso vira pauta em alguma conversa. E isso me faz pensar em como as pessoas complicam coisas simples.

Durante a infância e adolescência, eu sofri muito, ainda não usavam a palavra bullying na época, mas basicamente ser chamada de magrela ou Olivia Palito era isso. 
Eu não deixava que as pessoas percebessem que me incomodava (ou pelo menos tentava transparecer o mínimo possível) mas era sofrido, os apelidos etc. Na infância mais e na adolescência menos. Apesar disso, não deixei de usar a saia de pinça da moda, a bota que minhas canelas ficavam dançando etc. E usava e me achando linda (risos).
Com o tempo, essa minha "pose" de que não ligava para os comentários maldosos, foi sendo vista como autoestima... mas era uma grande mentira. Porque a opinião das pessoas me atingia sim, no final do dia, entre as paredes do meu quarto...


Algumas vezes eu pensava, "ah queria ter corpão violão como o das minhas amigas" e na sequência eu me perguntava: "por que?" A resposta sempre era: "porque as pessoas acham bonito daquela forma". Eu pensava, mas meu biótipo não é assim, sou magra-magérrima, e quando me olho no espelho não me acho feia (exceto o nariz estrainho, o excesso de sardas, a testona, pouco peito e a canela fina hahaha). Com essa resposta eu concluía que ninguém ou nenhuma opinião iam fazer eu me sentir diferente de como eu mesma sentia. Então, eu desistia de tomar remédio pra engordar, de ir pra academia com 16 anos de idade e outras coisas que teoricamente poderiam mudar meu corpo.

Eventualmente percebi que era mais importante ser verdadeira e que gente interessante é irresistível! Com o passar do tempo, eu realmente passei a ignorar as pessoas superficiais e só dar importância para a minha própria opinião. E assim, aquela falsa autoestima, que era só escudo criado forjado, foi realmente virando parte de mim.
Volta e meia quero malhar mas não é porque um cara vai me achar mais gostosa ou porque tal vestido foi feito pra uma bunda maior... Se eu resolver ganhar um pouco de massa vai ser porque EU decidi que quero.

Vou explicar isso para alguém e não consigo, porque já de início ouço: "ah pra ti é fácil, você é magrinha, olha eu aqui gordinho (a)". E não consigo explicar que não importa o corpo que você tem mas como sua alma se sente em relação a ele! Vejo tanta gordinha andando de nariz (e bunda) empinada feliz da vida e por isso ela é umas 10x mais bonita que aquela menina de corpo perfeito que precisa se maquiar pra ir correr no parque porque alguém colocou na cabeça dela que de rosto lavado não é linda (mas é mais).
Tem aquele cara que mesmo sem a barriga de tanquinho é de boa com a vida, tasca um sorriso de orelha a orelha e consegue conquistar qualquer mulher enquanto que o bonitão com barriga de tanquinho acha que é só isso que importa nessa vida.

Queria explicar, que importante em relação ao seu corpo é você se sentir bem consigo mesmo. Que isso vai te deixar com uma áurea e um brilho quase que mágico! Eu sei que não é simples assim, mas deveria ser.

Com esse pensamento, as vezes me falam: "ah te falta é força de vontade", falta mesmo, tenho zero vontade de fazer algo para os outros. Deixo claro que tem questões de saúde, onde magros e gordos tem que cuidar. Mas fora isso, você tem que estar é com saúde mental! Em paz com o SEU espelho, porque o corpo é SEU!

Hoje quando acordei deu vontade de correr/caminhar no parque ouvindo minha música, levantei e fui. Quem me conhece sabe que adoro foto, então tirei essa clichê no espelho... E pensei: "Noooossa, que cinturinha, que bundão, e esse cabelo tá massa mas preciso hidratar quando voltar!".
Se você é magro, gordo ou gostosão e não consegue pensar assim, tente, se não quiser tentar vai lá malhar, fazer dieta, tomar suplemento etc mas é uma pena, porque você será um escravo...


P.S. Não me sinto assim o tempo todo, de vez em quando acordo querendo ser a Gisele Bündchen.

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